Solos impossíveis: apresentação

São dois solos, apresentados em sequencia: O Otimista e Tamara Karsavina.

Realizados a partir de um estudo dramatúrgico coreográfico, aprofundado em oito anos de pesquisa do grupo em seus espetáculos A pior banda do mundo, Corra como um coelho e Holocausto. Dá continuidade ao tema iniciado no espetáculo A pior banda do mundo – o fracasso e seus desdobramentos, as dificuldades de realização de um obra, a memória de sucesso distante – o medo do futuro.

Tamara Karsavina
por Carolina Bianchi

Tamara Karsavina é uma bailarina russa de família classe média. Seu nome veio da paixão incontestável de sua mãe pelo ballet, como homenagem a Tamara Karsavina- bailarina russa do começo do século XX, famosa por sua perfeição em interpretações memoráveis como solista.

Tamara Karsavina de Carolina Bianchi, nasceu nos anos 80 em uma União Soviética em pedaços. Com discutível talento para a dança, sempre preferiu o teatro ao ballet. Apaixonada por textos de Shakespeare, seu sonho é subir no palco para dizer um texto. Mas seus esforços parecem levá-la para outros caminhos. Dança sempre no coro, longe de ser solista- acaba atuando em filmes eróticos. Se apaixona por um cosmonauta que a abandona . Quando finalmente tem sua primeira oportunidade de atuar em um espetáculo teatral, morre de emoção no meio do seu grande momento. Sua trágica morte torna sua trajetória heróica, com filmes e biografias em sua homenagem.

A narrativa criada por Carolina Bianchi transita por depoimentos e coreografias. Utilizando os idiomas russo e português, Carolina constrói uma fábula de fantasia e estranhamento. Expõe diante do público sua dificuldade de realizar as complexas coreografias necessárias para retratar a história de uma bailarina. Imprime sua inaptidão física e a confronta com seu desejo apaixonado pela dança.

O Otimista
por Tomás Decina

Um documentário ao vivo – estilo National Geografic- traça a vida de um navegador explorador, de uma família de bravos navegadores e desbravadores. Estamos diante de sua mais perigosa e importante expedição: a chegada ao topo da terra. Tempestades, monstros marítmos, dúvidas, memórias e a visita a uma ilha selvagem traçam seu caminho. Seus feitos que parecem extremamente heróicos em suas narrativas, chocam-se com ações que parecem colocar em dúvida o que é dito. Será que tudo isso é uma invenção, e temos diante de nós um explorador que nunca foi capaz de sair da sua cidade?

Apropriando-se da fantasia de um navegador , construímos um paralelo com a criação artística, complexa e bastante solitária (especialmente em um solo): Uma deriva. O pensamento de deriva nos coloca em prontidão para entendermos nossas buscas de aprimoramento nas experiências de linguagem, sempre atreladas ao ator e como esse se coloca em cena. E que este entenda as escolhas que pode fazer a cada espetáculo, encarando inclusive, a possibilidade do erro, do naufrágio. Essa é a primeira vez que Tomás e Carolina Bianchi realizam solos. Sem perder o otimismo.

 

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