A pior banda do mundo: apresentação

A Pior Banda do Mundo é um espetáculo baseado na série de quadrinhos de mesmo nome, considerada a obra máxima do cartunista português José Carlos Fernandes (editora Devir 2007). Esta série é constituída por um conjunto de histórias curtas de duas páginas. Histórias independentes, que funcionam de forma autônoma, mas que desenham o conjunto de uma misteriosa cidade sem nome, em cujas ruas se cruzam os destinos de um grupo de personagens. Este complexo quebra-cabeça cheio de melancolia e humor, é revelador da notável capacidade de José Carlos Fernandes de retratar o cotidiano. Em A Pior Banda do Mundo da Cia. dos Outros, uma inepta e desastrada banda, de intenções vagamente jazzísticas e resultados puramente caóticos, ensaia regularmente num espaço que lembra um salão de clube desativado. Embora ensaiem há uma década, nunca conseguiram se apresentar ao vivo. As desventuras destes músicos sem qualquer talento são um pretexto para introduzir o espectador num mundo de personagens que entregam-se a ocupações improváveis e preocupações inverossímeis, transitando entre pequenas possibilidades de glória do passado e um presente desoladamente medíocre.

O linguajar rebuscado e peculiar dos quadrinhos de José Carlos Fernandes dão o tom a uma narrativa que não se define nem no tempo, nem em espaço. Imagens do presente se misturam a pequenas faíscas de um passado não muito distante, revelando turvas possibilidades de uma glória que ficou para trás e afunda as personagens em um cotidiano ordinário. O público acompanha lampejos da rotina dessa banda desprovida de qualquer glamour em seus ensaios intermináveis.

A encenação relaciona a tensão do iminente fracasso público dessa banda formada por atores que tem de se virar para tocar instrumentos nunca praticados por nenhum deles. Cenas que em alguns momentos parecem sem continuidade, com tempos esgarçados, músicas incompletas, transições distorcidas- operam com a real dificuldade dos atores de se resolverem musicalmente. A busca é pela realização de um espetáculo com o risco à espreita, com um acabamento duvidoso, que coloca em questão os desejos não realizados, as memórias de pequenas glórias, o questionamento de talentos – o que se gostaria de ser e o que se é.

 

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